Trecho de 40 km da BR-101 em SC mata mais que os 200 km da rodovia no Sul
- FCR ADVOCACIA - Direito de Trânsito
- 8 de ago.
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Mistura de tráfego urbano e rodoviário intensifica riscos entre Itapema e Itajaí; no trecho Sul, acidentes graves estão ligados ao excesso de velocidade
O novo principal gargalo da BR-101 em Santa Catarina, no Litoral Norte, já registrou mais mortes que o trecho Sul inteiro da rodovia federal — cinco vezes maior em extensão. Os números chamam atenção das autoridades e correspondem aos sete primeiros meses do ano.
O trecho entre Itapema e Itajaí soma 40 quilômetros, enquanto no Sul são 214 km, entre Palhoça e Passo de Torres.
No comparativo, o número de acidentes e feridos também é maior no Litoral Norte. Confira:
BR-101 entre Itajaí e Itapema (40 km)
Acidentes – 552
Feridos – 575
Mortos – 20
BR-101 Sul entre Palhoça e Passo de Torres (214 km)
Acidentes – 416
Feridos – 465
Mortos – 14
O que explica a diferença?
No Litoral Norte, mistura entre trânsito rodoviário e urbano
Para a PRF (Polícia Rodoviária Federal), os dois trechos da BR-101 em SC possuem características distintas, o que ajuda a explicar por que os 40 km entre Itapema e Itajaí, passando por Balneário Camboriú, são proporcionalmente mais letais que os mais de 200 km do trecho Sul.
A BR-101 no Litoral Norte tem fluxo mais denso e mistura de tráfego urbano com o pesado, conforme explica o chefe de Comunicação da PRF em Santa Catarina, inspetor Adriano Fiamoncini.
“As causas são as mesmas do trânsito urbanizado de São José, Palhoça e Biguaçu. Tem muito engavetamento, muita entrada e saída da rodovia sem atenção, em baixa velocidade. As causas são o trânsito urbanizado misturado com o trânsito de passagem, o trânsito pesado”, justifica.
Ele completa: “É muita morte para apenas 40 km de trecho. É apenas o caos de veículos demais para rodovias de menos”, analisa.
No Sul, excesso de velocidade é a principal causa de acidentes graves
No trecho Sul, o trânsito é mais fluido: retas longas, poucas curvas, baixo relevo e menos tráfego urbano. Por isso, a principal causa dos acidentes está ligada à pressa e à imprudência dos motoristas.
Em 2024, por exemplo, o excesso de velocidade correspondeu a 54.370 infrações de trânsito entre Palhoça e Passo de Torres. A prática é apontada como causa principal ou secundária em boa parte dos acidentes graves.
“Essa é a característica principal da 101 Sul: uma rodovia segura, com pavimento em perfeitas condições, mas por isso mesmo é que alguns motoristas, imprudentes, se sentem no direito de acelerar mais do que o limite permite”, aponta o inspetor Adriano Fiamoncini.
Ainda segundo a PRF, os pontos críticos no Sul estão em áreas onde a rodovia cruza bairros, como Laguna, Tubarão, Araranguá e Sombrio. Nesses locais, são comuns colisões envolvendo motos de baixa cilindrada e atropelamentos.
BR-101 em SC: dados de 2024 foram semelhantes
Apesar das diferenças, outras causas de acidentes são comuns aos dois trechos: ausência de reação ou reação tardia dos motoristas, falta de distância de segurança, ingestão de álcool e entrada ou saída da rodovia sem observar outros veículos.
Outro detalhe: enquanto no primeiro semestre de 2025 o Litoral Norte registrou mais mortes, em 2024 o cenário foi equilibrado, com o trecho Sul sendo mais letal no ano passado.
Em 2024:
BR-101 entre Itajaí e Itapema (40 km)
Acidentes – 1.080
Feridos – 1.121
Mortos – 26
BR-101 Sul entre Palhoça e Passo de Torres (214 km)
Acidentes – 914
Feridos – 998
Mortos – 36
“Então mostra que ainda falta alguma coisa, talvez uma conscientização maior do motorista, mais campanhas, algo que possa reduzir ainda mais os acidentes”, conclui o inspetor da PRF.
